Se você acompanha o tema da saúde mental nas empresas, sabe o quanto essa discussão tem consumido recursos que vão além de tempo e dinheiro. Estratégias diversas, planejamento de qualidade duvidosa, ações fragmentadas aqui e ali e, no fim do dia, poucas soluções que realmente melhoram a saúde e o bem-estar dos empregados. Cria-se um mito da empresa saudável, mas, embaixo do tapete, está o social washing, para usar o termo da moda.

Algumas empresas estão no caminho certo, agindo na organização do trabalho e encarando o tema de frente. Mas não são a maioria e, assim, vamos arrastando décadas de discussão e avanços a passos curtos.

Se as ações em saúde mental no trabalho estão longe do ideal, a confiança dos empregados em usá-las também não vai muito bem.

Uma pesquisa com mais de 2 mil trabalhadores nos Estados Unidos mostrou que eles recorrem a conversas com IA para lidar com o estresse no trabalho quatro vezes mais do que recorrem ao suporte de saúde mental oferecido pelo empregador.

Entre os empregados que mais sentem que o trabalho afeta seu bem-estar, a procura por IA para obter ajuda foi três vezes maior, comparada à de outros trabalhadores. Nas empresas que oferecem suporte para saúde mental, mais da metade (52,9%) procurou a IA entre aqueles que consideram que seu bem-estar é afetado diariamente pelo trabalho. Ou seja, quem mais precisa de ajuda é também quem mais recorre à IA como primeira escolha, e não aos recursos oferecidos pelas organizações.

Outro dado interessante foi que quase 4 em cada 10 trabalhadores faltaram ao trabalho por causa do estresse e deram uma justificativa falsa. Três em cada quatro trabalhadores admitiram ter adotado um comportamento para esconder o sofrimento, enquanto apenas cerca de 10% contaram a um gestor ou ao RH o que estava acontecendo.

A conclusão é que há uma barreira entre os empregados que precisam de ajuda em temas de saúde mental e os recursos oferecidos pelas organizações. A IA está ocupando esse espaço, o que pode ser reflexo da falta de confiança nas empresas: o empregado percebe um discurso de acolhimento, mas teme prejuízos à sua carreira e empregabilidade se for reconhecido como uma pessoa em sofrimento mental. Isso pode responder, em parte, à pergunta que muitas organizações se fazem em relação à adesão aos programas de saúde mental.

O relatório completo Workplace Wellbeing da Founder Reports está disponível aqui.