Qualidade do sono e permanência no trabalho
Se eu te perguntar três coisas que você precisa fazer para manter uma boa saúde, provavelmente você vai responder: alimentação equilibrada, atividade física regular e boa qualidade do sono. Ponto para você!
Quando essas três rotinas estão desequilibradas, em curto ou médio prazo a conta chega: alterações metabólicas, dificuldade para controle do peso, fadiga, irritabilidade, alterações do humor e muitas outras consequências. O conceito é simples, mas não é fácil manter essas rotinas o tempo todo, e a qualidade do sono tem ganhado destaque nesse aspecto.
Cada vez mais, os “ladrões do tempo” (trânsito caótico das grandes cidades, distrações digitais, multitarefas e interrupções) afetam a qualidade do sono, tanto no número de horas como na capacidade de restaurar a energia. E isso afeta nossa produtividade e o modo como encaramos nosso dia e as tarefas no trabalho, em especial entre trabalhadores de meia-idade.
Um estudo publicado na revista Occupational & Environmental Medicine, com dados de uma coorte de mais de 76 mil trabalhadores finlandeses, procurou a resposta para a pergunta: será que pessoas com mais de 50 anos que dormem melhor tendem a ter uma vida laboral mais longa?
Os participantes foram avaliados com questionários sobre a qualidade e a duração do sono, e o desfecho foi a expectativa de permanência no trabalho, em anos, prevista para cada faixa etária, sexo e nível socioeconômico.
Os resultados mostraram que ter algum distúrbio do sono estava associado a uma menor expectativa de vida laboral, com uma curva do tipo dose-resposta e até oito meses a menos de permanência no trabalho. Dependendo do grupo socioeconômico, a diferença entre os grupos chegou a até cinco anos a menos de expectativa de vida laboral em relação aos grupos nos quais a qualidade do sono era mais favorável.
Embora o estudo não permita estabelecer uma relação de causa e efeito, promover a saúde do sono e oferecer apoio deve estar na agenda de promoção da saúde das organizações. Apoio para o tratamento, terapias comportamentais e ações educativas, em especial entre os trabalhadores de menor nível socioeconômico, são estratégias possíveis.
Artigo completo: Myllyntausta S et al. Sleep disturbances and sleep duration as predictors of working life expectancy among adults aged 50 years and older in Finland. Occup Environ Med. 2026 Aug 18:oemed-2025-110766.
