O trabalho remoto é vilão ou mocinho da saúde mental?
O trabalho remoto é uma realidade em muitas empresas. Algumas atividades se adaptaram bem para serem realizadas a distância; outras, nem tanto, o que fez com que uma boa parte das empresas tomasse a decisão de trazer seus empregados de volta para o escritório.
Um novo equilíbrio entre o trabalho presencial e remoto vem se estabelecendo, e os dados atuais mostram que os países de língua inglesa usam mais desse recurso em comparação com os países latino-americanos. Os dados desse levantamento estão disponíveis neste link.
Uma pergunta que se faz é se o trabalho remoto pode promover ou prejudicar a saúde mental. Um grupo de pesquisadores da New York University publicou na revista Occupational Medicine um estudo com mais de 100 mil trabalhadores para entender a relação entre o trabalho a distância e a saúde mental. O desenho do estudo foi transversal, e as variáveis foram corrigidas para gênero, escolaridade, renda familiar, número de filhos, setor de atividade e região.
Os resultados mostraram que o trabalho híbrido realizado de forma remota de 1 a 4 dias por semana estava associado a um risco ligeiramente menor de depressão em comparação com os empregados que não trabalhavam remotamente. Entre as pessoas que trabalham exclusivamente de forma remota, isto é, todos os dias de trabalho da semana, houve associação com maior risco de ansiedade.
Esses resultados reforçam a ideia de que o trabalho remoto pode ser um determinante para a saúde mental. Ele não deve ser considerado uma variável binária quanto às repercussões na saúde mental. Por isso, para responder à pergunta do título, o trabalho remoto não deve ser considerado mocinho nem bandido: depende da “dose” de trabalho remoto.
As descobertas desse estudo podem ser usadas na elaboração e aprimoramento das políticas das organizações que promovam a produtividade e o bem-estar considerando a possibilidade do trabalho fora do escritório. Modelos de trabalho híbrido podem ser mais saudáveis, fato que pode servir de estímulo para o incentivo dessa modalidade. Suporte social e treinamento para os que trabalham exclusivamente à distância são fundamentais para reduzir o risco de ansiedade.
Artigo completo: Leong WI, Wei L, Goodman MS, Pagán JA, Cuevas AG, Bather JR. Remote work and mental health among employed US adults. Occup Med (Lond). 2025 Jun 17:kqaf050. doi: 10.1093/occmed/kqaf050.
