A tão desejada “turbinada” no cérebro
As exigências dentro e fora do mundo do trabalho são enormes. Cada vez mais somos convidados (ou convocados) a fazer maiores e melhores entregas em todas as dimensões da vida.
E sim, já entendemos que isso não é sustentável. Nosso cérebro não está preparado para tanta sobrecarga cognitiva.
A questão é que queremos soluções rápidas, simples, quase mágicas para as exigências que não têm fim. Atalhos às vezes podem ajudar, mas quase sempre escondem alguma armadilha ou um preço alto a ser pago no futuro. Vale para o controle do peso, para chegar mais rápido em uma viagem, para ganhos financeiros – e, quando o assunto é desempenho no trabalho, essa lógica não poderia ser diferente.
No entanto, um estudo publicado na revista Psychological Bulletin, da Associação Americana de Psicologia, demonstrou um caminho para “turbinar” as funções cognitivas.
A cognição diz respeito ao conjunto de processos mentais que nos permite adquirir, processar e utilizar informações. É a base do aprendizado, do raciocínio, da memória, da atenção e de outras habilidades mentais. Em outras palavras, é a forma como o cérebro interage com o mundo, percebendo, compreendendo e respondendo a ele. Tudo o que você faz no seu dia a dia – e no trabalho também, não é mesmo?
Os autores reuniram dados de quase 400 estudos, com mais de 18 mil participantes ao todo, para responder à pergunta: exercícios físicos rápidos ajudam na cognição? Eles incluíram pesquisas que submeteram os participantes a exercícios físicos de intensidade variada por poucos minutos, seguidos da aplicação de testes com o objetivo de verificar diversas funções cognitivas.
O resultado mostrou que as pessoas apresentam melhor desempenho cognitivo imediatamente após o exercício, em comparação com momentos em que não estão ativas. A melhora cognitiva foi observada na atenção, na memória e nas funções executivas. E esse efeito ocorre independentemente do número de sessões. Isso significa que, diferentemente dos benefícios cardiovasculares – que aparecem ao longo do tempo e pela consistência da frequência –, a melhora cognitiva pode ser observada desde a primeira vez em que o exercício é feito e nas demais vezes em que é repetido.
Fazer polichinelos no meio do escritório se pareceria mais com uma cena do seriado The Office do que com um fator determinante para alguém se transformar em um gênio na empresa. Ainda assim, há alternativas viáveis: subir escadas, caminhar com mais intensidade entre os setores e, por que não, fazer alguns agachamentos — se houver espaço e privacidade para isso.
Artigo completo: Chang YK et al. Effects of acute exercise on cognitive function: A meta-review of 30 systematic reviews with meta-analyses. Psychol Bull. 2025 Feb;151(2):240-259. doi: 10.1037/bul0000460.
