A ideia de que o mundo se transforma rapidamente não é novidade, e se tem um lugar onde isso acontece de forma acelerada é o ambiente corporativo. Exige-se dos líderes que criem respostas cada vez mais eficientes e inovadoras aos desafios impostos por forças cada vez mais complexas nas organizações. Cabe aos gestores não apenas tomar as decisões que definirão os posicionamentos das organizações, mas também assegurar o crescimento responsável do capital humano e econômico.

É muita responsabilidade, não é mesmo?

Para muitos líderes, essa carga de exigências acaba se traduzindo em comportamentos duros, combativos e impessoais, como se estivessem em um campo de batalha. Quem nunca disse ou ouviu expressões bélicas no trabalho como “vamos para a luta” ou “sangue nos olhos e faca nos dentes”?

Esses comportamentos podem até ser apreciados em alguns segmentos mais agressivos do mundo corporativo, mas esse não parece ser o melhor caminho, nem pelo senso comum, nem pelas evidências científicas.

Um artigo publicado na revista Psychological Reports demonstrou que o superpoder do líder está baseado em suas virtudes no relacionamento humano. Justiça, coragem, compaixão e honestidade são comportamentos que influenciam positivamente os sentimentos e o desempenho dos empregados. No geral, líderes virtuosos são aqueles que não se concentram somente nos resultados, mas que fazem as coisas da maneira correta e justa.

Segundo o estudo, os empregados que percebem seus líderes como indivíduos justos, prudentes e humanos têm atitudes mais positivas no ambiente de trabalho. Quanto mais virtudes são reconhecidas nos líderes, melhor é o desempenho individual no trabalho e menor a intenção de mudar de emprego. Esses resultados sugerem que uma liderança virtuosa é um mecanismo eficaz para construir laços emocionais entre os empregados e as organizações, o que reduz a rotatividade e melhora o desempenho no trabalho.

O estudo tem limitações, pois foi baseado em uma amostra de conveniência e em autorrelatos, especialmente no quesito desempenho individual, o que pode reduzir a força de generalização dos dados. Ainda assim, isso não invalida a ideia de que, ao tratar todos de forma justa e comunicar-se honestamente, o gestor contribui para que os empregados se sintam emocionalmente mais ligados ao trabalho. Além disso, líderes são modelos e determinam em grande medida o clima organizacional.

Artigo completo: Ribeiro N, Duarte AP, Gomes DC. Virtuous Leadership and Employees' Attitudes and Work Behaviors. Psychol Rep. 2025 Mar 28:332941251330542. doi: 10.1177/00332941251330542.