Levante a mão quem gostaria de escolher o próprio horário de trabalho.

Apesar da promessa do trabalho flexível para mais pessoas no futuro, a realidade é que nem todos têm essa possibilidade. Mas, para aqueles que já têm essa flexibilidade, é comum que as horas de trabalho avancem pela noite ou madrugada para compensar o tempo livre utilizado para outras obrigações do dia. É uma troca, mas tem um preço.

Um estudo publicado na revista GeroScience usou registros de quase 200 mil participantes do UK Biobank, uma grande base de dados com informações genéticas e de estilo de vida de pessoas do Reino Unido. Os pesquisadores identificaram os participantes que exerciam trabalho em turnos e no período noturno e aplicaram cálculos para estimar a idade biológica das pessoas deste grupo. Esses cálculos permitem medir parâmetros do envelhecimento dos sistemas orgânicos e podem ser comparados à idade cronológica de cada indivíduo.

Os resultados mostraram que as pessoas que trabalham em turnos apresentam um risco 5% a 8% maior de envelhecimento acelerado em comparação com aquelas que trabalham em turnos fixos e não trabalham à noite. O envelhecimento acelerado estava mais fortemente associado às pessoas do sexo masculino, jovens e com maior índice de massa corporal.

Rever a agenda e redistribuir as tarefas ao longo do dia é uma recomendação simples. Simples, mas nem sempre fácil. As exigências no mundo do trabalho são cada vez maiores, e a pressão pelas entregas, cada vez mais frequente. E as horas a mais de trabalho na madrugada cobram um preço alto do nosso corpo.

Artigo completo: Wang JN et al. Associations between shift work and biological age acceleration: A population-based study. Geroscience. 2025 Mar 1. doi: 10.1007/s11357-025-01575-z.