Quanto custa o burnout?
Sofrimento, diminuição do desempenho, desgaste das relações interpessoais: essa é uma lista curta de repercussões que atingem quem sofre burnout e quem está por perto. Apesar das numerosas discussões nos últimos anos, das demonstrações de preocupação genuína (ou não) de diversos setores e de toda sorte de propostas de solução, o tema do burnout continua a ser um “elefante na sala”.
Sabemos que o ponto principal é agir na prevenção, mas um aspecto importante para quem faz a gestão da saúde e bem-estar nas organizações é a tentativa de mensurar as consequências dessa condição. Não é possível quantificar sofrimento; assim, medir parâmetros mais objetivos passa a ser a opção viável do ponto de vista populacional. Um estudo publicado na revista American Journal of Preventive Medicine usou modelos matemáticos complexos para quantificar os impactos econômicos do burnout entre os trabalhadores dos Estados Unidos. O modelo usou dados de diversas fontes e simulou a carga anual do esgotamento profissional em diferentes setores da economia.
Os resultados mostraram que os custos individuais decorrentes do burnout variam de 4 mil dólares por ano entre trabalhadores operacionais a mais de 20 mil dólares entre supervisores e gerentes. Para empresas médias (com cerca de mil empregados), os custos anuais estimados foram de 5 milhões de dólares. O absenteísmo contribuiu com apenas 10% desses custos, sendo que as consequências do presenteísmo decorrente do burnout foram o principal fator associado à perda de produtividade.
Para os gestores das empresas brasileiras, aplicar uma regra de três simples a esses números pode ser um exercício estimulante para o desenvolvimento de ações com foco nos fatores organizacionais.
Artigo completo: Martinez MF et al. The Health and Economic Burden of Employee Burnout to U.S. Employers. Am J Prev Med. 2025 Jan 31:S0749-3797(25)00023-6. doi: 10.1016/j.amepre.2025.01.011
