A procura por soluções rápidas para os temas da saúde mental povoa as discussões no mundo corporativo. É natural que, no mundo ágil e complexo das organizações, as ações e resultados precisem aparecer logo, de preferência antes que o orçamento do ano seguinte seja planejado. Por isso, quanto mais entendemos o papel do trabalho como fator associado ao adoecimento mental, melhores alternativas para o encaminhamento da questão podem surgir.

Um estudo que analisou dados de mais de 3 milhões de trabalhadores suíços foi publicado na revista Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology. Uma pesquisa desse tamanho e com a metodologia coerente usada pelos autores merece muita da nossa atenção. Foram identificados os empregados com histórico de adoecimento mental (particularmente, depressão), e os dados epidemiológicos dessa população foram cruzados com os escores validados de classificação das características da organização do trabalho. O desfecho principal que foi considerado nessa análise foi o afastamento prolongado do trabalho (correspondente à nossa realidade ao afastamento com necessidade de benefício previdenciário).

Os resultados demonstraram que os empregados que tinham atividades consideradas mais ativas (isto é, mais responsabilidades com mais autonomia para tomada de decisão) tinham menor risco para afastamento prolongado do trabalho por depressão, enquanto os empregados passivos tinham maior risco. Isso não significa que trabalhadores ativos não adoecem, mas que quando isso acontece o afastamento é mais curto independentemente de outras variáveis. Outra conclusão foi que a relação entre a percepção de tensão no trabalho e a presença de depressão foi estatisticamente significativa, indicando que as condições de trabalho influenciam o desfecho estudado.

O ponto é que os fatores relacionados à organização do trabalho são base para o planejamento de qualquer ação em saúde mental nas corporações. Agir no enriquecimento do conteúdo do trabalho, dar autonomia aos empregados e manter ambientes com segurança psicológica e confiança entre pares e chefias são algumas das chaves para as empresas que desejam enfrentar a questão da saúde mental de forma madura.

E se você pensou que isso tem tudo a ver com o texto da atual NR-1, acertou.

Artigo completo: Jarroch R et al. The role of job strain in the relationship between depression and long-term sickness absence: a register-based cohort study. Soc Psychiatry Psychiatr Epidemiol. 2024 Nov;59(11):2031-2039. doi: 10.1007/s00127-024-02700-7.