Médicos das empresas estão treinados para abordagem em saúde mental?
Os médicos que atuam nas organizações (médicos do trabalho, clínicos gerais ou médicos de família, por exemplo) muitas vezes são os primeiros profissionais a quem os empregados recorrem quando têm queixas de saúde mental. Por isso, esses especialistas precisam estar preparados para oferecer os melhores recursos de saúde mental aos trabalhadores.
Os médicos do trabalho estão familiarizados com o estudo e com a abordagem preventiva em relação aos fatores de risco presentes no trabalho. Nas questões relacionadas ao sofrimento mental, os fatores de risco dentro e fora do ambiente de trabalho são mais complexos do que as exposições a agentes químicos, físicos ou biológicos, o que requer competências específicas tanto para o manejo clínico individual quanto para as medidas coletivas.
Uma pesquisa liderada pela Faculdade de Medicina de Helsinki envolveu médicos do trabalho em formação e seus preceptores para avaliar as competências necessárias na abordagem em saúde mental no trabalho. Os profissionais responderam questionários sobre a percepção em relação às habilidades e atitudes, que foram ponderados com os itens das avaliações baseadas em EPAs (Entrustable Professional Activities). EPAs são recursos poderosos na formação de recursos humanos em saúde, em particular na medicina, área em que essa estratégia é mais desenvolvida. Trata-se de uma análise estruturada que é feita durante o treinamento médico, verificando se o aprendiz desenvolve as competências necessárias para executar atividades de forma independente e sem supervisão.
Apesar das limitações dos resultados da pesquisa em relação ao número de participantes e à realidade particular daquele país, o que foi considerado valioso e aplicável à nossa realidade é que todas as competências avaliadas e consideradas importantes na formação dos médicos do trabalho são de grande relevância e constituem tema de educação continuada em nosso meio. Os médicos do trabalho dedicados e atualizados sabem da importância da coordenação do cuidado e da intervenção em fatores ligados à organização do trabalho, identificando oportunidades e negociando com líderes e alta direção. As EPAs consideradas no estudo incluíram as ações de pesquisa e rastreio (equivalente ao nosso exame periódico de saúde), avaliação da capacidade de trabalho, elaboração e execução de planos de ação envolvendo o serviço médico e as lideranças, além das ações de vigilância em saúde e trabalho.
Todas essas ações fazem parte dos programas de saúde corporativos bem estruturados e eficazes. Os médicos do trabalho, responsáveis por esses programas, têm o compromisso de oferecer os melhores recursos de saúde aos trabalhadores sob sua responsabilidade.
Artigo completo: Majuri M et al. Perceived mental health skills and competence among occupational health physicians. Occup Med (Lond). 2024 Aug 30:kqae080. doi: 10.1093/occmed/kqae080.
