O excesso de peso e suas consequências são assuntos que ocupam a lista de preocupações das pessoas e das empresas. Mais da metade dos adultos no Brasil tem sobrepeso ou obesidade, que constituem importantes fatores de risco para hipertensão arterial, diabetes e alterações do sono, para ficar nos exemplos mais comuns. Além disso, a obesidade pode provocar repercussões psicossociais, como questões relacionadas à saúde mental, participação da vida em comunidade e até desemprego, como já abordamos em outro texto neste espaço.

Do ponto de vista clínico, o manejo da obesidade é complexo. Ele envolve uma boa avaliação inicial em busca das causas do sobrepeso, não só dos aspectos do estilo de vida, mas também metabólicos, genéticos e ambientais. É necessário avaliar se existem doenças estabelecidas e tratá-las adequadamente. Médicos e nutricionistas precisam avaliar e orientar sobre alternativas que ajudem seus pacientes na modificação de hábitos, como o sedentarismo e as escolhas alimentares. Psicólogos, educadores físicos e outros profissionais podem contribuir, o que demonstra a complexidade do tema e que as soluções certamente não são de curto prazo.

Na prática clínica, o tempo de tratamento é um grande obstáculo na adesão dos pacientes com excesso de peso. Muitas pessoas estão em ambientes (familiares, sociais, profissionais) que atuam como gatilhos para maus hábitos alimentares ou que contribuem para perpetuar o sedentarismo. Quando medicamentos são necessários, podem causar efeitos colaterais que influenciam nas rotinas e na qualidade de vida. Dificuldade em mudar hábitos e custos financeiros podem somar-se aos fatores que interferem no tratamento e podem torná-lo mais longo e penoso.

Se o tempo de tratamento é uma variável que influencia essa difícil equação, será que oferecer algum recurso de curto prazo pode ser efetivo na abordagem do excesso de peso?

Uma revisão sistemática publicada na revista do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) reuniu dados de estudos com intervenções de curto prazo para atividade física e nutrição em adultos. Dos 14 estudos selecionados, metade era com intervenções de menos de 13 semanas e os outros até 26 semanas. No primeiro grupo, a perda de peso média obtida no período foi de 2,7kg em cada indivíduo; no segundo grupo, 2,4kg. Nessa revisão, não foi avaliado se a perda de peso foi mantida após o período de observação, mas a conclusão foi que oferecer recursos por curto período promoveu alguma perda de peso entre os participantes.

Nos programas de saúde corporativos, um princípio fundamental é que eles tenham duração suficiente para atingir seus objetivos de prevenir doenças e promover a saúde. Por isso, o cuidado que devemos ter ao interpretar estudos como esse é que programas de curto prazo podem fazer parte de uma estratégia inicial, até como forma de promover a adesão dos trabalhadores, mas não devem ser o ponto final da ação. Perder algum peso no início pode ser um incentivo e ajudar a pessoa a experimentar benefícios físicos e mentais, o que aumenta as chances de manter-se em tratamento e em um contexto de novos hábitos de vida. Este pode ser um caminho possível para o enfrentamento do excesso de peso na sua empresa.

Artigo completo: Rotunda W et al. Weight Loss in Short-Term Interventions for Physical Activity and Nutrition Among Adults With Overweight or Obesity: A Systematic Review and Meta-Analysis. Prev Chronic Dis. 2024 Apr 4;21:E21. doi: 10.5888/pcd21.230347