Gestão do estresse no trabalho: para além da saúde mental
Evitar as repercussões do estresse está na pauta das organizações genuinamente interessadas em cuidar de seus empregados. A relação entre o estresse no trabalho e o sofrimento e adoecimento mental é bem conhecida e provoca diversos passivos tangíveis e intangíveis com repercussões para toda a sociedade. Por isso, todos os esforços para agir de forma preventiva são bem-vindos, o que inclui ampliar a discussão sobre o tema.
Um grande estudo com mais de 1,5 milhão de trabalhadores sugere uma relação entre o estresse no local de trabalho e doenças crônicas. Isso mesmo: o desfecho estudado não foi a incidência de depressão ou ansiedade, mas sim diabetes, doença coronariana, acidente vascular cerebral, câncer, asma, insuficiência cardíaca e demência. Os empregados foram acompanhados por cerca de 18 anos em estudos de coorte conduzidos na Dinamarca, comparando parâmetros de exposição ao estresse no ambiente de trabalho com o número de anos que as pessoas vivem livres daquelas doenças crônicas. Quantificar o estresse não é uma tarefa fácil, mas os pesquisadores usaram instrumentos validados que consideram fatores relacionados à demanda, controle, esforço e recompensas no trabalho.
O risco relativo de desenvolver uma ou mais doenças crônicas associadas ao estresse no trabalho foi maior entre homens: 12% versus 4% entre as mulheres. No grupo de trabalhadores estudados, os homens tiveram uma antecipação de quase um ano na manifestação de doenças crônicas quando expostos a maiores níveis de estresse no ambiente de trabalho.
Esses números reforçam a ideia de que o gerenciamento dos fatores organizacionais que geram estresse deve receber a mesma atenção que dispensamos a outros riscos no ambiente de trabalho. As doenças crônicas costumam ter uma evolução lenta e são influenciadas por diversos fatores individuais, como a genética e o estilo de vida. Mas a vigilância sobre as cargas geradoras de estresse no trabalho precisa ser considerada como um instrumento de proteção para o conjunto de trabalhadores.
Artigo completo: Sørensen JK et al. Work stress and loss of years lived without chronic disease: an 18-year follow-up of 1.5 million employees in Denmark. Eur J Epidemiol. 2022 Apr;37(4):389-400. doi: 10.1007/s10654-022-00852-x.
