Riscos no trabalho e prematuridade
A proteção das mulheres que trabalham precisa estar na agenda das organizações. A literatura especializada é rica em demonstrar um perfil de morbidade e mortalidade muito particular para as mulheres quando comparado aos homens. As razões são várias e vão muito além dos aspectos biológicos: toda sorte de fatores sociais, familiares e da organização do trabalho, para citar alguns.
Quando pensamos na proteção das gestantes, nossos esforços devem ser multiplicados, pois está em jogo o bem-estar da futura mãe e do seu bebê. Nos últimos anos, a proteção das gestantes no ambiente de trabalho no Brasil foi alvo de vários desencontros por razões políticas, ideológicas e em relação à legislação. O ponto é que, independentemente do arcabouço legal que oferece os padrões mínimos a serem seguidos, das paixões partidárias e outros interesses, a saúde da gestante precisa ser pensada em termos abrangentes e com a seriedade que o tema exige.
Uma revisão sistemática com metanálise publicada no Public Health Reviews lançou mais uma luz sobre o tema. O racional da pesquisa foi relativamente simples: verificar se riscos no ambiente de trabalho influenciam na ocorrência de partos prematuros. Os resultados foram que o esforço físico, horas de trabalho excessivas, trabalho em turnos e vibração de corpo inteiro têm associação com nascimento de prematuros quando as gestantes são expostas a esses riscos. Para horas de trabalho em excesso o aumento da probabilidade de parto prematuro aumentou 44% e para trabalho em turnos, 63%.
Não só por causa dos dados dessa pesquisa, mas pela necessidade de oferecer ambientes de trabalho seguros e saudáveis para todos, e em particular para as gestantes, as equipes de saúde e segurança devem ser vigilantes e ativas para afastar esse grupo especial dos riscos no ambiente de trabalho.
Artigocompleto: Adane HA, Iles R, Boyle JA, Gelaw A, Collie A. Maternal Occupational Risk Factors and Preterm Birth: A Systematic Review and Meta-Analysis. Public Health Rev. 2023 Oct 23;44:1606085. doi: 10.3389/phrs.2023.1606085
