Quando estamos diante de uma situação que coloca em risco a vida de uma pessoa (como um acidente de trânsito ou uma parada cardíaca), temos o impulso de oferecer algum tipo de ajuda. Se você tiver conhecimento ou já passou por um treinamento de primeiros socorros vai saber como agir de maneira estruturada, seguindo um passo a passo que melhore as chances de sobrevivência ou reduza o risco de outros danos até que um recurso com melhor suporte esteja disponível. Se não estiver capacitado para fazer isso, pode sinalizar o local e pedir ajuda ao serviço de emergência pelo telefone. O fato é que colaborar em situações críticas pode fazer diferença para a vida de uma ou mais pessoas.

Mas existem situações críticas com risco à vida que podem ser menos aparentes do que aquelas com ferimentos ou perda súbita da consciência, como as questões relacionadas à saúde mental. Ideação suicida, ataques de pânico, depressão ou uso de substâncias podem ter consequências dramáticas para a pessoa e para terceiros.

Pensando em alternativas de intervenção em situações relacionadas ao bem-estar psíquico, nas últimas duas décadas o conceito de primeiros socorros em saúde mental (PSSM) tem ganhado força. Os PSSM são uma extensão do conceito de primeiros socorros tradicionais, como forma de oferecer assistência que apoie indivíduos que estejam vivenciando situações de angústia extrema. Esse acolhimento não substitui os cuidados especializados em saúde mental, mas podem servir como suporte até que o atendimento especializado esteja disponível.

Assim como nas técnicas de primeiros socorros tradicionais, é possível treinar pessoas que não são profissionais da saúde para oferecer apoio inicial. O ambiente de trabalho pode ser um cenário privilegiado para o treinamento em PSSM: ter empregados com conhecimentos básicos para identificar comportamentos ou sintomas de gravidade pode ser crucial para as organizações.

No período de 2016 e 2020, mais de 150 mil cidadãos de Nova Iorque foram treinados em primeiros socorros emocionais. Pesquisa recente feita com essas pessoas, anos após o treinamento, revelou resultados muito promissores: 90% deles disse ter usado as competências em PSSM nos últimos 6 meses; aqueles que se interessaram em se aprofundar na técnica e procuraram outras capacitações em PSSM se sentiam mais confiantes em agir com essa finalidade, em uma curva do tipo ‘dose-resposta’ (quanto mais treinados, mais confiantes); 90% das pessoas treinadas eram capazes de reconhecer corretamente os sintomas de depressão quando um caso hipotético era apresentado; e 80% disseram usar os conhecimentos em PSSM para apoiar seu próprio bem-estar.

Se sua empresa ainda não incluiu o tema dos PSSM na agenda, não perca tempo. Treinar os empregados, capacitar multiplicadores, falar sobre o assunto nas reuniões estratégicas e engajar a alta direção são ações que podem ser decisivas.

Artigo completo: Wong EC, Dunbar MS, Siconolfi D, Rodriguez A, Jean C, Torres VN, Li R, Abbott M, Estrada-Darley I, Dong L, Weir R. Evaluation of Mental Health First Aid in New York City. Rand Health Q. 2023 Sep 15;10(4):3. PMID: 37720076; PMCID: PMC10501820.