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Ninguém duvida dos benefícios que o sono de qualidade proporciona. Também sabemos o efeito devastador de uma noite mal dormida: falta de concentração, irritabilidade, prejuízo da memória e dos reflexos, diminuição da habilidade de operar máquinas, baixa performance no trabalho. Além disso, os efeitos de longo prazo quando a insônia é frequente incluem ansiedade, depressão, alterações do metabolismo e do peso corporal, hipertensão arterial e tantos outros. Agora, podemos juntar a dor lombar a essa lista.

Pesquisadores da Austrália e Noruega supunham que a privação de sono poderia estar associada ao aumento de fatores inflamatórios e à ocorrência de lombalgia. Para testar essa hipótese, estudaram mais de 50 mil indivíduos que tinham insônia segundo os critérios do Manual de Diagnóstico de Transtornos Mentais (DSM 5) e dor lombar há pelo menos três meses. Além de estudar as queixas dos participantes, também fizeram dosagens no sangue de fatores relacionados a inflamação.

O resultado desse estudo foi que a insônia duplica o risco de dor lombar e a associação era positiva com os fatores inflamatórios no sangue. Ou seja, não bastava que o participante relatasse a dor e tivesse os critérios de insônia: era necessária a associação com os resultados dos exames de sangue, comprovando a inflamação aumentada.

A conclusão é que, em pessoas com insônia, a dor lombar pode ser considerada uma doença associada e, por isso, tratar a insônia pode ser uma medida primária de prevenção e tratamento da lombalgia.

A qualidade do sono da população geral tem diminuído nos últimos anos e esse é um assunto negligenciado pelas equipes de saúde, o que provoca diversas repercussões econômicas e sobre a qualidade de vida.

The association between insomnia, c-reative protein, and chronic low back pain: cross-sectional analysis of the HUNT study, Norway. Ho et al. Scand J Pain 2019