Quero compartilhar alguns aspectos teóricos e práticos sobre a inteligência emocional e como ela pode ser útil no contexto das organizações.

Embora o termo inteligência emocional (IE) tenha sido incorporado ao vocabulário dentro e fora do mundo corporativo nas últimas décadas, sua origem vem do início do século passado. Edward Thorndike, psicólogo norte-americano, descreveu em 1920 a IE como “a capacidade de compreender as pessoas”. Nos anos 80, Howard Gardner usou este termo em sua teoria de inteligência múltipla para se referir à inteligência interpessoal e intrapessoal. Poucos anos depois, Salovey e Mayer introduziram uma definição específica de IE, como “a capacidade de perceber e expressar emoções, assimilar emoções e pensamentos, compreender, raciocinar e regular emoções em si mesmo e nos outros”.

Daniel Goleman é considerado por muitos como o pai do conceito de IE em razão do seu aclamado livro de 1995, que adapta e explica para o público em geral os conceitos de Salovey e Mayer. Goleman afirma que precisamos gerir as nossas emoções sem deixar que elas nos dominem, ser criativos e sentir o que os outros sentem enquanto administramos nossas emoções de forma eficaz. Para ele, IE é “a capacidade de reconhecer os nossos sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de lidarmos bem com as nossas emoções para termos o melhor para nós e para os nossos relacionamentos”.

Gosto de definir a IE como um conjunto de habilidades, capacidades e competências que influenciam a forma com que uma pessoa lida com as demandas e pressões do entorno.

A IE tem sido considerada um fator relevante associado ao sucesso das organizações. Considerando que o ambiente de trabalho, a exemplo de outros cenários de interação humana, é palco da expressão de desejos, expectativas e das emoções a elas associadas, ter a capacidade de desenvolver a IE é um diferencial. Esta é uma das competências que se espera dos líderes, mas não só deles; e a boa notícia é que é uma habilidade que pode ser aprendida e desenvolvida.

Mas como desenvolver a IE? Uma pesquisa rápida na internet vai levar você para aquelas listas do tipo “10 dicas para desenvolver a inteligência emocional” ou para um curso com o nome parecido com isso. Essas listas não estão erradas em recomendar que você “controle a ansiedade “, “seja empático”, “respeite as pessoas” ou “lide com suas emoções”. Se eu posso dar uma recomendação, comece pelo autoconhecimento. Saber um pouco mais sobre quem você é e como lida com as interações sociais é um primeiro passo importante. Se necessário, procure um profissional para falar sobre isso.

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Referências:

H Gardner, T Hatch. Multiples intelligences go to school: Education implications of the theory of multiple inteligences. Educ Res 8(1989);4-10

P Salovey, JD Mayer. Emocional intelligence. Imagin Cogn Pers 9(1990);185-211

Daniel Goleman. Inteligência Emocional. Editora Objetiva