Salas de apoio à amamentação nas empresas
A amamentação é o método recomendado para a alimentação de recém-nascidos em todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que os bebês sejam alimentados exclusivamente com leite materno até os 6 meses de idade e que, mesmo após a introdução dos primeiros alimentos sólidos, sigam sendo amamentados até, pelo menos, os 2 anos de idade. Para além das suas virtudes nutricionais, o aleitamento materno não só tem grande impacto positivo na saúde da criança, mas também afeta favoravelmente a saúde da mulher.
As mães que trabalham pelo regime da CLT têm direito a quatro meses de licença maternidade, podendo ser prorrogada por mais sessenta dias quando o empregador participa do Programa Empresa Cidadã. Nestes casos, é possível oferecer o período recomendado para a lactação exclusiva recomendada nos primeiros meses de vida da criança. O retorno ao trabalho afeta a rotina do aleitamento, por isso, oferecer salas de apoio à amamentação nas organizações pode garantir conforto e privacidade às lactantes e incentivar a duração estendida do aleitamento.
É fato que a maioria das lactantes não leva seu bebê para o local de trabalho. Mas as salas de apoio à amamentação oferecem o suporte necessário para a coleta, congelamento e armazenamento do leite para que, ao final do turno de trabalho, o alimento possa ser levado para casa e oferecido à criança nos dias subsequentes e nos horários em que a mãe está no trabalho.
Não há dados atualizados sobre quantas empresas oferecem salas de apoio à amamentação no Brasil. Em alguns países existem leis específicas para apoio à lactação no local de trabalho, com números que chegam a quase metade dos empregadores oferecendo esse recurso. Considerando que um número reduzido de empresas oferece esses espaços e ainda que cerca de metade da população trabalhadora no Brasil está na informalidade (e, portanto, sem direito sequer à licença maternidade), existe um longo caminho para que a sociedade garanta esse direito às mães que trabalham e às crianças.
Existe dificuldade em demonstrar dados quantitativos dos benefícios das salas de apoio à amamentação. Pesquisadores publicaram uma revisão sistemática cujos resultados foram limitados por variarem muito de acordo com as características demográficas e de emprego. Isso não significa que essa discussão não deva ser estimulada nas empresas: mais do que números, a satisfação dos empregados e o cuidado genuíno com as pessoas já são motivos suficientes.
Artigo completo: Taylor YJ,
Scott VC, Danielle Connor C. Perceptions, Experiences, and Outcomes of
Lactation Support in the Workplace: A Systematic Literature Review. J
Hum Lact. 2020 Nov;36(4):657-672. doi: 10.1177/0890334420930696
Brasil. Ministério da Saúde. Guia para implementaçãode salas de apoio à amamentação para a mulher trabalhadora. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Brasília, 2015
