Asma e carreira
A asma é uma doença respiratória comum. No Brasil, cerca de 10% da população tem asma, sendo a quarta causa mais frequente de internações hospitalares. A asma ocorre por uma inflamação crônica dos brônquios, com períodos de controle e de piora de acordo com diferentes estímulos, como exposição ao frio, poeira ou exercício físico para dar alguns exemplos. Alguns agentes nos ambientes de trabalho podem provocar essa condição, ao que chamamos asma relacionada ao trabalho. Mas, independentemente de a causa estar ou não relacionada ao trabalho, será que as pessoas asmáticas têm prejuízos em suas carreiras quando comparadas às que não têm?
Um grupo de pesquisadores publicou um estudo na BMJ Occupational & Environmental Medicine com dados de cerca de 34 mil pessoas na França. Foram analisados aspectos relacionados à trajetória profissional, como número de empregos ao longo dos anos, interrupção do trabalho por motivo de saúde e empregabilidade, comparando com outras variáveis individuais e do estilo de vida, além da evolução clínica e gravidade da asma ao longo do tempo nas pessoas acometidas. Um ponto forte do estudo foi a possibilidade de usar os dados de uma grande amostra aleatorizada da população geral, mas o seu desenho não permite avaliar uma relação causal, e sim medidas de associação.
Os resultados mostraram uma associação entre a asma e mudanças de emprego, em uma razão de chance aumentada em 40% entre homens. Entre as mulheres com asma, houve 86% mais chance de abandonar o emprego por motivo de saúde comparada às mulheres sem asma. Esses resultados podem ter sido influenciados pelo conhecido efeito do trabalhador saudável, um fenômeno epidemiológico que ocorre pelo fato das pessoas mais comprometidas em sua saúde serem excluídas no mercado de trabalho. Contudo, a análise estatística foi capaz de mostrar uma desvantagem da empregabilidade entre as pessoas com asma.
Embora a asma seja uma doença crônica e persistente, existem recursos para seu controle. Medicamentos, educação em saúde, afastamento dos fatores ambientais de risco estão incluídos no arsenal dos médicos do trabalho, que podem (e devem) acompanhar esses trabalhadores de forma especial. Muitas organizações deixam de abordar essa temática por não conhecer o perfil de saúde dos seus trabalhadores, sendo plausível pensar que um em cada dez empregados possa se beneficiar de estratégias de controle da doença e prevenção de crises.
