O desafio do presenteísmo
Mais do que uma palavra incorporada pelas organizações nas últimas décadas quando se fala de produtividade, o presenteísmo é uma questão que está longe de ter soluções simples. A começar pela sua definição: se você pesquisar na literatura especializada, vai encontrar conceitos que guardam semelhanças e diferenças que dificultam a sua mensuração e abordagem.
Presenteísmo pode ser definido como “estar presente ao trabalho mesmo doente”, ou “estar no trabalho quando deveria estar fora dele, porque está cumprindo horas sem ser eficaz”, ou ainda uma definição mais poética, como “o absenteísmo de corpo presente”. O fato é que o presenteísmo representa perda de produtividade resultante de problemas reais de saúde, gera sofrimento aos empregados e prejuízos às corporações.
Mas qual será a dimensão desse tema e suas repercussões? Vários instrumentos e metodologias tentam responder essa pergunta, o que faz com que os dados muitas vezes sejam imprecisos e conflitantes. Um levantamento recente cobrindo 4,3 milhões de empregados de mais de 800 empresas no Reino Unido é mais uma pista na busca dos melhores indicadores para nortear as decisões das organizações. Os empregadores que participaram da pesquisa observaram algum sinal de presenteísmo entre 65% dos funcionários do escritório e mais de 80% nos que trabalham de forma remota nos últimos 12 meses. Mesmo assim, quase metade das empresas pesquisadas não estão tomando nenhuma medida para mudar esse cenário. As principais ações entre as empresas que estão se movimentando para enfrentar o tema envolviam ações dos líderes. Treinamento para identificar membros da equipe que trabalham doentes, ter conversas com seus liderados e oferecer ajuda, comunicar de forma clara sobre os canais disponíveis foram estratégias citadas pelas companhias pesquisadas. Além disso, a sensibilização dos líderes para que eles próprios não trabalhem doentes e sejam um exemplo para suas equipes foi lembrada como um caminho adicional.
Esses dados podem servir de inspiração para a abordagem do presenteísmo no nosso meio. É preciso ter o cuidado de não transferir a responsabilidade do tema exclusivamente para o empregado, posto que as organizações têm um papel central na viabilização de ambientes de trabalho seguros e saudáveis. Será que sua empresa está entre as que ainda não começaram a agir? Vale a reflexão e o convite para a troca de ideias em busca de soluções possíveis.
