Dor ao urinar, incontinência, urgência e gotejamento. Esses sintomas urinários, frequentes em mulheres de todas as idades (especialmente entre 40 e 60 anos) e muitas vezes associados a quadros infecciosos, afetam a qualidade de vida e a capacidade para o trabalho. Estima-se que no Brasil esses sintomas afetam mais de 80% das mulheres e cerca de 60% das mulheres em outros países. Será que o trabalho está relacionado a esses sintomas?

Essa foi premissa para uma pesquisa publicada este mês na revista britânica Occupational & Environmental Medicine. Um grupo de pesquisadores reuniu dados da literatura médica em busca das associações entre o trabalho e o desenvolvimento de sintomas urinários em mulheres. Os resultados mostraram que o trabalho em turnos, ficar sentada por tempo prolongado, a limitação para uso do banheiro no local de trabalho (por ser sujo e desconfortável, por exemplo) e o estresse ocupacional estavam associados aos sintomas urinários.

Vários desses fatores estão relacionados à necessidade de adiar a ida ao banheiro, o que prejudica a dinâmica fisiológica do ato de urinar. O que chama a atenção é que os fatores identificados têm origem na organização e nas condições de bem-estar no trabalho, todos passíveis de modificação.

Os resultados desse estudo podem servir para que as equipes de saúde e as organizações ajam para que condições de trabalho mais adequadas e confortáveis sejam oferecidas às mulheres que trabalham. Além de evitar desconforto e sofrimento dos sintomas urinários, essas medidas podem contribuir para a produtividade e evitar custos no sistema de saúde.

Occupational risk factors associated with lower urinary tract symptoms among female workers: a systematic review. Occup Environ Med. 2023 May;80(5):288-296