A vitamina D tem um papel importante no equilíbrio do cálcio, no metabolismo ósseo e em outras funções regulatórias de diversas células. A deficiência da vitamina D pode causar grandes problemas em crianças, mas, em adultos, as consequências relacionadas à saúde dos ossos se desenvolvem em um longo prazo e a reposição deste nutriente para todas as pessoas é motivo de controvérsias.

O exame de laboratório que melhor representa o estado dessa vitamina no organismo é a dosagem sérica da 25-Hidroxi Vitamina D. Nos últimos anos, essa dosagem tem aparecido com frequência nas listas de exames de adultos com a finalidade de rastreamento em pessoas sem sintomas e sem condições clínicas especiais. Será que isso é realmente necessário?

A justificativa para esse tipo de pesquisa muitas vezes está relacionada a uma pretensa necessidade de fazer prognósticos sobre consequências futuras de carência da vitamina D, tais como quedas e fraturas. Mas uma questão que se coloca é que não há consenso quanto ao valor de 25-Hidroxi Vitamina D ideal que representaria níveis adequados e qual valor dosado determinaria necessidade de reposição. Recentemente, alguns valores estratificados por faixa etária têm sido propostos, mas a evidência para tais limites ainda é insuficiente.

Artigo publicado na Revista da Associação Médica Americana (JAMA) atualizou as diretrizes anteriores da Força Tarefa de Serviços Preventivos dos Estado Unidos (USPSTF), que eram de 2014. Na revisão atual, outros estudos foram adicionados com o objetivo de verificar se surgiram dados novos que justificassem a pesquisa de deficiência da vitamina D em adultos como rotina.

Nenhum estudo considerado nesta publicação encontrou benefícios ou danos diretos em se fazer o rastreamento de vitamina D. Entre pessoas sem sintomas com níveis baixos de vitamina D, a evidência sugere que a reposição por meio farmacológico não tem efeito sobre a mortalidade ou a incidência de fraturas, quedas, depressão, diabetes, eventos cardiovasculares, câncer ou infecções.

A conclusão dessa publicação reforça a recomendação de que não há benefício em realizar a pesquisa da vitamina D como rotina nos adultos em geral, ficando reservada a decisão de acordo com o julgamento clínico para cada paciente. Vale o trabalho educativo dos profissionais de saúde em incentivar a respeito da exposição segura aos raios solares com o objetivo de estimular a cadeia fisiológica da produção deste nutriente.


Kahwati LC, LeBlanc E, Weber RP, Giger K, Clark R, Suvada K, Guisinger A, Viswanathan M. Screening for Vitamin D Deficiency in Adults: Updated Evidence Report and Systematic Review for the US Preventive Services Task Force. JAMA. 2021 Apr 13;325(14):1443-1463. doi: 10.1001/jama.2020.26498